Eu passei uma vida toda ouvindo estórias.Então chega ao ponto que tenho de contar as minhas.

Contos de CharonttE


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Sexta-feira :::

Quando ele sair, ninguém viverá!

Nesse depoimento o dono do Açougue Mill, que detém cerca de 45% do monopólio de fornecimento de carne desta cidade. Ele foi encontrado depositando ao longo de alguns meses restos de corpos humanos em um bueiro atrás de seu prédio e sede da empresa há 200 anos. A policia chegou ao suspeito após denuncia da ONG Defender’s of Street (defensores das ruas) que lida com desabrigados e desfavorecidos economicamente em geral. Seus membros propuseram a ação pré-investigativa ao confirmar o crescente numero de desaparecimentos de mendigos e garotos de programa ao redor do ponto sem nenhuma explicação plausível nesses últimos anos. Os restos mortais encontrados com a vitima batem com o DNA de alguns dos auto-proclamados parentes dos mortos.

Veja agora as demais informações cedidas pelo livro do escrivão da época Baroth Smith e conseguidas com exclusividade por nós do canal E!

,b>Depoimento recolhido pelo delegado Iouth, do 13º distrito de Nova York. O responsável pelo setor de crimes bizarros promovidos por celebridades.

Fernando Marcerck. Homem, gordo, careca e de dentes postiços que tem todo o dinheiro do mundo e não sabe a mínima como agir como tal. É horrível. Ele esta suando feito um balde de gelo no sol, preso dentro de um paletó minúsculo que só faz aparentá-lo mais gordo do que é, mesmo sendo muito gordo sem aquilo. É plausível o pavor que ele tem. Precisa sair de lá urgente e hoje nos alegou um motivo impossível de ser ignorado. Eu adorei ouvi-lo.

Senhor delegado, veja bem, eu não posso ser preso. Mesmo que aquilo lá tenha acontecido no beco quando seus soldados chegaram e me renderam. Veja bem doutor eu sou comerciante honesto, não sou como uns e outros que vivem falando mal da policia, da política e do escambal! Não, sou dos que respeita as regras e aceita a ordem como parte do meu ser. Caso não acredite, como pode comprovar o sucesso de minha família, meus imóveis e demais bens? Como pode justificar minha bela esposa, minha filha abençoada por deus por sua beleza e inteligência e meu garoto de sucesso em universidades conquistas pelo esforço do ensino particular? Só provo do dinheiro do estado quando preciso passear de carro em rodovias federais e habito seu solo. Eu sou provedor de dinheiro honesto sim! Não sou caim quem rouba o esforço de viver dos outros para mostrar a Deus (e a sociedade) como sendo seu. Ainda sou útil para a sociedade. Meu negócio herdado do meu bisavô Marcerk, natural de uma vila de mil pés de pessoas no máximo (contabilize quantas pessoas são) que se localiza onde já foi a Bielorussia, e como ele eu sempre me provei perfeito nos negócios de sucesso que sustentam nosso luxo.
Mas ele não veio para cá como um simples vagabundo imigrante que fugiu de suas terras por elas estarem devastadas. Na verdade até estavam, mas foi por causa dele que deixaram de ser. Ele era rei em nossa terra natal. Sim, e com essa herança divina ele perdeu a família e trouxe O ser que dizimou o reino que não existe mais. Essa é a herança mágica que o povo do meu bairro e meus filhos de asas escondidas por debaixo das túnicas que sempre andam tem correndo em suas veias e artérias multicoloridas.
E aqui, fugido e em segredo, vendendo como raras pedras de ouro de vários quilates que sempre cobriram o nosso chão ele se fez simples açougueiro em menos de três dias! Sua loja que fica na avenida central, a qual moramos em cima, estava feita (segundo alguns dos mais antigos historiadores) em dois dias e meio. Isso não é prova suficiente?
E desde meu bisavô nos fazemos isso. Procuramos as pessoas que vivem nas ruas e cruzamentos interdimensionais e lhe damos um abrigo para o resto do tempo do mundo. Isso não é assassinato. Eles vão para outra dimensão! Se encontram finalmente! Entendeu? Respeite minha fé!
É que nos tínhamos de justificar o sangue de nossas roupas que sempre ficam quando se dá fim num ser que não sabia que ia morrer. Quando soubemos que vocês mortais também consumiam carne pensamos que seria uma ótima idéia. Então viramos açougueiros. E nos nossos carregamentos de carne escondíamos no depósito os corpos dos que demos um fim. Tratávamos de seus interiores, verificávamos se estavam na temperatura certa. Se não perderam com o tempo seus nutrientes e energias mágicas que aquietam... o Outro...
E somente um por vez, aquele que fosse realmente dono do legado mágico, poderia saber de sua origem e destino aqui na Terra. E por isso a nossa loja é de família. Dos funcionários ao presidente. Só houve nascimentos quando precisamos ter necessidade mercadológica. Como em Admirável Mundo Novo. Somos desse novo tempo onde à magia e o impossível não passa de ciência que vocês ainda não têm explicação. E somente ele pode levar os cadáveres mutilados até o buraco.
Meu avô nunca construiu uma casa. Ele fez uma prisão para o flagelo do mal que escapou de nosso universo arrasado e ainda não sabe disso. Ele hoje mora no escuro, pois foi assim que deixou nossa antiga morada. Só se acalma quando come o que já foi vivo. O que manda naquele mundo que está devorando no momento. É inteligente brutal conosco e será quando ele sair. E é essa nossa função. Pois se Ele perceber isso sairá das trevas onde habita para nossa luz e devorará a todos. De mim que já deveria ter morrido com meus compatriotas interdimensionais mágicos ao senhor com sua filha que nascerá em dois dias. Como eu sei?! Já lhe disse: é minha mágica natural. Não há perdão de seus dentes, garras e cor. Eu já vi o seu sorriso cheio de gordura quando ponho a carne no bueiro que é à entrada da caverna embaixo de Nova York. Bem atrás do nosso estabelecimento comercial e residência.
Senhor. Pois meu bisavô não construiu uma casa, mas uma prisão para alguém que ainda não sabe que está preso. E se eu não voltar para lá antes que o detento note, vocês pagarão caro.

Não sei se o delegado vai continuar o Processo, mas ele soltou o nosso salvador depois de ouvir isso.


::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 8:52 PM


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